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A lenda de Ludwig van Beethoven
150 anos após a sua morte, influiu directamente na criação do CDRom tal como o conhecemos hoje em dia
A 26 de Março de 1827 morria Ludwig van Beethoven, um dos maiores génios da música clássica. Beethoven teve uma influência decisiva na música, e é considerado como o pai da música sinfónica, e por marcar a passagem do classicismo ao romantismo.
Mas a sua influência na música não terminou com a sua morte. Quase 150 anos depois da estreia da sua obra-prima, a nona sinfonia, esta viria a influir directamente na criação do CDRom.
No dia 8 de Março de 1979 eram apresentadas em Eindhoven as especificações técnicas preliminares do que viria a ser o formato CD Áudio. De todas estas especificações destacavam-se especialmente duas - o seu diâmetro de 115 mm e o tempo total de reprodução, 60 minutos.
Existem várias histórias e lendas que tentam explicar a evolução destas especificações até chegarem às características do que hoje conhecemos como o CDRom.
Esses 115 mm coincidem exactamente com a diagonal de uma cassete tradicional de música, que naquela época era o mais utilizado, e foram os armazenistas e os comerciantes que pressionaram a indústria para que não fosse excedido esse diâmetro, para não terem que modificar as suas estantes de exibição dos produtos.
Naquela época, praticamente 99% das produções musicais que apareciam no mercado e disponíveis em catálogo não excediam os 60 minutos, pelo que se deduziu serem essas as medidas adequadas para a definição de um standard mundial de produção de CdRom.
Conta a lenda que foi a esposa de Akio Morita, fundador de Sony, quem insistiu para que este pedisse conselho ao seu amigo íntimo Herbert Von Karajan sobre a duração média de uma obra de música clássica, e se esta caberia nos 60 minutos de tempo de reprodução, que se pretendia estabelecer como standard mundial. Von Karajan confirmou-lhe que efectivamente 95% da música clássica caberia num disco com essa duração, mas advertiu-o que que a peça que ele considerava como a obra mais emblemática de toda a música clássica, a Nona Sinfonia de Beethoven, não caberia nesses 60 minutos, e que seria um erro imperdoável ter de dividir em dois esta obra-prima.
A duração da Nona Sinfonia de Beethoven variava em função da interpretação que se tomava como referência. A interpretação pela Orquesta Filarmónica de Berlim, dirigida por Von Karajan durava 66 minutos.
Depois de investigar, chegou-se à conclusão de que para outras interpretações desta sinfonia a duração da mesma variava, descobrindo-se que a mais longa era a gravada no Festival de Beirute, dirigida por Wilhelm Furtwängler e que durava exactamente 74 minutos e 33 segundos.
Em Junho de 1980 foi editado o “Livro Vermelho”, onde se recolhiam as especificações técnicas definitivas para o formato CD Áudio, aumentando-se o diâmetro dos discos para 120 mm e o seu tempo de reprodução para 74 minutos e 33 segundos, que são as características que se definiram como standard mundial e que desde então não conheceram mais variações.
Ludwig van Beethoven compôs a Nona Sinfonia quando se encontrava já completamente surdo. A obra foi estreada em Viena no dia 7 de Maio de 1824, marcando um antes e um depois na história da música clássica. Uma revolução que chegou até aos nossos dias…
Josema (Cdtarjeta Multimedia,s.l.)




